Caixa de Catálogos
terça-feira, 9 de agosto de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
SERÁ QUE AINDA AS EMPRESAS INSITEM EM GANHAR A CUSTA DE NADA???... BY MUNDO GUMP Azul linhas aéreas comete uma idiotice épica
De vez em quando eu me deparo com certas coisas que chega a dar pena das pessoas que se julgam espertas e não o são. Como já dizia meu pai, “nada é tão perigoso quanto um esperto se fingindo de bobo; mas nada é tão patético quanto um bobo que tenta dar uma de esperto”. E foi justamente esta a postura da companhia Azul Linhas Aéreas ao inventar um concurso chamado “sua arte lá em cima”.
Eu resolvi falar sobre este assunto, não apenas para os meus milhares de leitores, mas também para deixar registrado o caso, afinal temos muitos designers, ilustradores e artistas em geral que visitam este site. Fica como um caso clássico e bem documentado de como pode ser obtusa a visão de certas pessoas jurídicas no trato de sua própria imagem corporativa. Dessa forma, espero que os leitores hajam como disseminadores desta impressão de que algumas pessoas e empresas agem de uma forma estúpida, achando que em termos de imagem, “qualquer coisa serve”.
Tudo começa com uma ideia que se resume a criar um “concurso cultural”, chamado Sua arte lá em cima.
O concurso acontece de 15 a 30 de junho de 2011. Basta ler e aceitar o regulamento e fazer o download do desenho do Embraer 195, que faz parte da frota da companhia. Utilize o programa que desejar para fazer os desenhos (Photoshop e afins). Uma comissão julgadora analisará todos os projetos de acordo com a originalidade, criatividade, beleza, coerência e adequação ao regulamento.
Trocando em miúdos, o que nós vemos aqui é uma empresa oferecer um espaço em suas próprias aeronaves, ou seja, um espaço dedicado ao branding para um concurso que oferece aos participantes a possibilidade de ter uma ilustração usada pela empresa como bem entender. E o prêmio? O prêmio está descrito no regulamento. Segure o riso se puder:
O autor do melhor trabalho receberá como prêmio uma maquete com a pintura escolhida e a empresa promotora fará uma aeronave verdadeira, pintada com o motivo enviado pelo vencedor, reservando-se a promotora o direito a ajustes necessários para adequar à comunicação da empresa.
É isso mesmo. Você fará uma arte para uma companhia milionária, doará gratuitamente seu trabalho para a empresa, que é dona de uma frota de aeronaves que custam caríssimo, que tem uma folha de pagamentos gigantescas, fez um investimento da ordem de R$ 2,9 bilhões na compra de 39 aeronaves, é apontada como um líder no segmento dela, e ela vai te pagar com… Um aviãozinho de maquete.
Na minha terra, isso chama “proposta caracu”, onde a Azul entra com a cara, obviamente. Aliás, se você é ilustrador, não perca este post sobre as dez mentiras mais comuns usadas para iludir ilustradores e designers inexperientes.
Evidentemente que se olharmos pelo viés da empresa, não hpá nada demais. Ela faz o concurso cultural de “bom coração”.
Não precisa ser muito inteligente para perceber que “de boas intenções o inferno está cheio”. É cristalino que a Azul Linhas aéreas não está preocupada com o resultado da obra em si, e sim em economizar a grana em uma ação promocional, e em troca disso, almeja obter um status corporativo de empresa que apoia a cultura. Para obter os trouxas, digo, os participantes do concurso cultural, a empresa acena com uma ilusão de visibilidade e numa cláusula questionável sob todos os princípios normativos da ética, obriga a quem participar de efetuar uma doação compulsória dos direitos sobre a própria criação.
Pode parecer um bom negócio para um executivo que não conhece bem o mercado, não entende que toda ação tem resultado, bom ou mau para a marca da empresa. O problema é que os prejuízos na reputação de uma companhia que tenta colocar um chapéu de burro nas pessoas custa bem mais caro que toda e qualquer economia que ela poderia fazer com um “concurso cultural” desse naipe.
Obviamente que quando as pessoas param para pensar sobre o assunto, ainda mais aqui no Brasil, conta-se nos dedos de uma mão sem dedos os que acreditam que uma empresa poderia querer fazer um concurso cultural sem fins lucrativos. Amigos, isso como já dizia o Padre Quevedo:
Este concurso TEM FINS LUCRATIVOS para a companhia aérea Azul. E a empresa disfarça isso com um verniz esferrapado de “concurso cultural, que objetiva promover jovens talentos”.
Tudo que as pessoas que gastam dinheiro com a empresa desejam é: Profissionalismo.
Mas como a saída pelo amadorismo é mais fácil, ela faz como o Santander, a Revista Piaui e muitas outras marcas, que já se utilizaram dessa técnica de engambelamento dos participantes, todos com resultados negativos pra as marcas.
O que a Azul quer? Propaganda barata, repercussão, e de quebra um desenho bem bacana para colocar nos caríssimos aviões dela sem pagar NADA. Ou melhor, pagando um aviãozinho de brinquedo.
É óbvio que qualquer pessoa mais racional vai olhar e pensar: Mas e daí? Participa quem quer.
Óbvio que participa quem quer. Mas isso não atenua a hipocrisia da companhia de selecionar artes e mais artes (porque sempre vai ter um inocente desesperado para aparecer) se tornar dona de tudo, usar a que achar mais adequada, e não pagar por elas. Participa quem quer e mete o malho quem se acha ultrajado de ser considerado idiota com o papo furado da empresa, que é o meu caso. Como empresário do ramo de design, dono de uma empresa que também vende ilustração, eu acho muito cretina esta postura da empresa.
Esta postura, já vista e discutida em inúmeros “Cases” de repercussão negativa, o vulgo “queimação de filme” é bastante comum e conhecido dos artistas e ilustradores em geral. Os empresários quando confrontados agarram-se ao discurso hipócrita de querer ajudar a divulgar os nomes de jovens talentos ou então metem os pés pelas mãos de uma só vez, alegando ” mas é só um desenho”
Dizer este tipo de coisa é o pior de todos os argumentos, pois não apenas agrava a discussão, como também dixa claro a todos que a imagem da empresa pode ser feita por qualquer um com qualquer coisa.
Está muito claro que a logica por trás deste tipo de artimanha marketeira é conseguir algum bobo o suficiente para oferecer de graça um bom trabalho, preferencialmente de qualidade profissional gratuitamente.Como disse, o ilustrador Montalvo Machado:
A atitude da Azul, ao promover uma concorrência comercial travestida de concurso fere diretamente aos profissionais da área, não pelo temor que algum moleque mal saído das fraldas venha a fazer algo que possa ser comparável ao trabalho de um escritório de design, com pessoas qualificadas, com estudos e projetos fundamentados no histórico da empresa e de seus clientes, com sustentação acadêmica, adequação ao público alvo, gestalt, consistência em relação a imagem corporativa e ao design prévio da empresa, uma estética adequada aos planos de curto, médio e longo prazo ao projeto de design da Azul, e todas as questões que envolvem um projeto de design como a decoração de uma aeronave. Estamos falando de trabalho, meu caro. Trabalho especializado, expertise caro, planejamento e execução de um serviço de gente grande, não de crianças talentosas, ou será que a Azul agora vai se tornar uma grande creche?
Ao usar amadores para fazer gratuitamente o trabalho de um profissional qualificado, a Azul abre o espaço para que pensemos se a empresa também não está fazendo este tipo de economia na manutenção das aeronaves, na limpeza, na contratação de pessoal… Você voaria numa companhia aérea que faz “economia a qualquer preço”? Nem eu.
Enfim, é triste ver que um dos grandes problemas do Brasil continua a ser o amadorismo. A Azul vai dar um aviãozinho de plastico em troca de um trabalho certamente de qualidade profissional, o golpe vai repercutir mal para a empresa, manchando a reputação dela a longo prazo. Tudo isso por amadorismo da própria empresa que não sabe criar um concurso minimamente decente.
“Ao vencedor, as batatas!”
Machado de Assis
"
sexta-feira, 1 de abril de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
FANTÁSTICO - Mansão do banqueiro condenado Edemar Cid Ferreira é a mais ...
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
texto pra acabar 2010.... na paz do senhor!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Feliz Natal e um 2011 mágico!
Retrovisor é passado
É de vez em quando… do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde… próximo… seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou; o que partiu
O que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em dia de trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi… calçadas e avenidas
Deixa explícito que se vou pra frente
Coisas ficam para trás
A gente só nunca sabe… que coisas são essas
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
MUTISMO POÉTICO
Encheram meus poros.
A palavra cá dentro
Endureceu.

